Classificação:
Reino: Animalia
↳ Sub-reino: Eumatozoa
↳Clado: Scalidophora
↳Superfilo: Ecdysozoa
↳Filo: Loricifera
1. Classificação e características gerais
Loricifera significa “portador de lorica” e é composto por 22 espécies e 8 gêneros, sem considerar a existência de espécies que ainda não foram descritas. Pertence ao táxon Scalidophora e as características comuns a esse grupo são: cutícula quitinosa, anéis de escálidos no introverto, floscúlios e dois anéis de retração do introverto.
Até o começo do século XXI, nenhum gene desse filo foi sequenciado. O filo foi descrito inicialmente em 1983 por Reinhardt Kristensen na França. Mesmo que já fossem conhecidos desde 1970, sua dificuldade de separá-lo do sedimento, sua população reduzida (pois vivem em baixas densidades populacionais) e sua semelhança superficial com um rotífero ou com uma larva de priapulídeo foram as principais razões para a ausência de descrições até então. Loricifera possui simetria bilateral e corpo não segmentado e seu tamanho varia de 100 a 500 micrômetros. Além disso, é um metazoário triploblástico e protostômio e também possui hemocele, que é a cavidade por onde circula a hemolinfa e funciona como esqueleto hidrostático. Esses animais apresentam uma introverte composta por placas cuticulares longas que pode ser retraída para dentro da extremidade anterior da lorica. E assim como os artrópodes, o filo também possui cutícula que é trocada por meio de processos hormonais, processo denominado ecdise. Há uma musculatura mesodérmica que provavelmente seja plesiomórfica para o táxon Cycloneuralia (no qual se encontra o Loricifera junto com o Gastrotricha, Nematoda, Nematomorpha, Priapulida e Kinorhyncha) e uma faringe epiteliomuscular que surgiram independentemente em Gastrotricha, Nematoda e Loricifera.
Sua anatomia é composta por uma cabeça protegida por espinhos (também chamada de introverte), um pescoço curto, uma parte superior do tronco denominada tórax e o resto do tronco denominado abdômen, o qual está envolto por uma armadura cuticular composta por uma placa dorsal, uma ventral e duas laterais. A cabeça, o pescoço e uma parte do tórax podem se telescopar para dentro desta parte, também chamada lorica, a qual dá o nome ao filo. A lorica deste grupo é semelhante à lorica dos rotíferos, mas difere por ser o primeiro extracelular e o segundo intracelular.
De sua cabeça sai o cone oral, que geralmente é grande e bem-desenvolvido, situado na extremidade final da introverte, o qual não é eversível, mas sim, protrável (ele é retraído por meio de músculos e é estendido por pressão hidrostática); ali estão situados cerca de 400 espinhos recurvados denominados escalídeos, estes são dotados de musculatura própria e provavelmente servem para sensibilidade e locomoção do animal.
A parede corporal consiste de uma única camada de células, a epiderme e uma pele exterior sobrejacente acelular: a cutícula, que por sua vez é constituída por três camadas denominadas: epicutícula, intracuticula e procuticula. A epicutícula é endurecida na maioria dos locais e por isso a forma depende da espécie, sendo de 6 a 22 placas orientadas longitudinalmente, dispostas em torno do torso como uma armadura (lorica); entre as placas, no entanto, a epicutícula é bem flexível, onde atua com função de gínglimo. Nas placas da lorica se encontra todo tipo de poros e sulcos e em algumas espécies, do final da boca para baixo eles são vazados por espinhos.
Por fim, acerca da fisiologia, alimentação, locomoção, comportamento ou desenvolvimento destes animais, praticamente nada se conhece devido à dificuldade da coleta de espécimes vivos durante o procedimento, o que gera o atraso em sua identificação.
Esse organismo apresenta um trato digestivo completo, têm início na boca, no topo da cabeça há a presença de um cone oral que segue por um longo canal tubular flexível, ao final desse tubo desembocam um par de glândulas salivares.
Esse sistema descrito anteriormente é revestido por um epitélio de células musculares e apresenta em seu interior (o chamado lúmen) três secções transversais que permitem uma sucção eficiente. Esse canal tubular liga-se a um “pequeno duodeno”, ou esôfago, no qual seguem numerosas invaginações e evaginações (microvilosidades) que se intercalam com um intestino médio onde ocorre a absorção de nutrientes. Após a absorção dos nutrientes os resíduos são conduzidos a um reto terminal e finalmente segue para o exterior de um cone anal posterior onde são eliminados. A dieta desses indivíduos aparenta ser a base do consumo de bactérias.
Esses animais não apresentam sistemas circulatório, endócrino e respiratório, isso deve-se principalmente ao seu pequeno tamanho, são um dos poucos metazoários que conseguem sobreviver em condições extremas de completa falta de oxigênio durante todo seu período de vida (como os organismos encontrados na lama da Bacia Atalante, à 3,5 km abaixo da superfície do Mediterrâneo, que além da ausência de oxigênio, vivem na presença de sulfetos venenosos e à uma alta taxa de salinidade, porém há estudos que contestam essa descoberta).
Aparentemente, as Loriciferas possuem um ciclo de vida complexo. Utilizam de um mesmo sistema para ambos excreção e reprodução. As espécies que vivem nas partes mais profundas do mar podem se reproduzir por partenogênese ou reprodução pedogenética. Não há registros fósseis deles. São organismos dióicos e cada animal possui um par de gônadas. Os pares de gônadas estão associados aos órgãos excretores, os protonefrídios, que consistem de simples células ciliadas, os solenócitos, portanto são combinados em um sistema urogenital como nos priapúlidas, o qual está próximo ou dentro do ânus comunicando-se com o exterior do animal. Alguns apresentam dimorfismo sexual e outras espécies não. Receptáculos seminais, que foram encontrados em uma espécie, sugerem que haja fertilização interna.
Seu estágio larval é similar superficialmente ao do indivíduo adulto, exceto pela ausência de estiletes orais e pela presença de duas séries de órgãos locomotores: 2 a 3 pares de espinhos na região anteroventral da lorica (que permite ao organismo rastejar) e 1 par de apêndices caudais móveis em forma de pé (que permite nadar). Além disso, alguns ainda possuem glândulas adesivas grandes para as pontas dos artelhos afilados e se acredita serem usados para aderência ao substrato.A maioria de suas larvas, denominadas de larvas de Higgins, são acelomadas, com alguns adultos sendo pseudocelomados, e outros permanecendo acelomados. Nestes, não há uma cavidade e o interior tende a ser preenchido por tecido conjuntivo que consiste em células e matriz celular.
7. LocomoçãoO organismo se movimenta com o auxílio de músculos, não apresenta cílios locomotores, no entanto, esse indivíduo apresenta cílios em suas estruturas sensoriais, os chamados protonefrídeos. A presença desses cílios também ocorre raramente na gastroderme.
8. Habitat e modo de vidaHabitam os sedimentos marinhos, desde a zona entremarés até a abissal, onde se aderem fortemente aos grãos de areia ou a outras partículas de diversos tamanhos granulométricos. São exclusivamente meio-bentônicos e são encontrados em todas as latitudes, o que os define como cosmopolitas. Possuem hábitos sedentários e parecem preferir as camadas superiores de sedimento, ricas em oxigênio. Mas as larvas podem ser livre-natantes, viver entre os grãos do sedimento, ou ainda em galerias.Não há muitas informações relacionadas ao modo de vida dos Loricifera, mas a partir da estrutura do cone oral e da construção da faringe como faringe de sucção pode-se concluir que os Loricifera vivem como predadores ou ectoparasitas que absorvem os fluidos corporais ricos em nutrientes de suas vítimas. Aparentemente, estes animais se alimentam perfurando as presas com os estiletes orais, e sugando os fluidos com os movimentos de bombeamento da faringe.
Como o filo não possui muitos estudos até o momento, há diversas hipóteses sobre suas adaptações a partir de evidências encontradas. Como o registro de um animal aderido por meio de um canal bucal protruso a um copépode bentônico, sugerindo a possibilidade de um hábito ectoparasita ou carnívoro, porém não há casos suficientes documentados para tal afirmação.Além disso, este grupo difere dos outros organismos em outros aspectos, por exemplo na aparente ausência de mitocôndrias, em vez disso eles carregam estruturas similares, os hidrogenossomas. Uma organela (um tipo primitivo de mitocôndria, antes da atmosfera ter um nível de oxigênio suficiente para a respiração como nós conhecemos) capaz de usar os prótons em vez das moléculas de oxigênio para descartar os elétrons. E novamente, pela ausência de organismos vivos e fósseis, supões que eles devem ter mantido esta capacidades herdada de seus ancestrais (quando não havia grande quantidade de oxigênio) ou podem ter conquistado essa característica posteriormente, através de genes de outras espécies por um processo conhecido como transferência horizontal de genes (o que justifica a presença de loriciferas que utilizam oxigênio e outras não).
Para que seja possível separar o organismo da partícula no qual adere, é necessário imergi-lo em água doce, pois o choque osmótico causa sua separação do substrato, mas resulta na sua morte (ou seja, ainda não é possível estudar o organismo adulto que vive fixo ao substrato, apenas sua larva).
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